Diariamente, recorremos a eles como tábua de salvação. Como sabedoria que o é por ser comprovado ao longo dos tempos, com origem tão perdida na história, que nós próprimos não sabemos de onde vêem, mas que elevamos ao estatuto de verdade universal, nem que seja pelo facto de ter sido o nosso avô a ensinar-nos o primeiro.
E isto faz dói-dói na minha saúde.

Eu explico: sempre que oiço ou leio tais pérolas de saber, o meu organismo embrulha-se num refluxo gástrico, contraindo-me a alma e fazendo-me ver manchas verdes no unicórnio que se senta a meu lado. Digo, desde já, que o que escrevo não é reflexo do uso excessivo de drogas ou uma simples exponênciação dramática da minha imaginação. Nada disso. É a pura das verdades. A resposta ao porquê?! Porque, estou, estás, estamos na merda!



Basta que a minha, e a vossa, memória não nos traia e nos recordemos da última vez em que balbuciámos tão “sábias palavras” e chegamos à conclusão que as dizemos quando todo o nosso restante vocabulário se evapora. Sem resposta. Sem capacidade para processar o momento e ser eloquente.
Para os que pensaram em funerais, muito bem. Uma goma para todos. Eu também estava a pensar naquela entrevista, entre tantas outras infelizmente, que tive que fazer na rádio.
Não quero ser mal interpretado. A Rádio é o meu AMOR profissional. Os quase 6 anos em que dia após dia, e que com o singelo gesto de levantar a via eu ganhava vida, foram os melhores. E após este modesto movimento, eu, simplesmente, rasgava ainda mais o sorriso com malícia por constatar que era pago para estar ali.
Num programa, assumidamente irreverente e comicamente fracassado, tive o privilégio de entrevistar um sem número de artistas portugueses. Do mais famoso ao mais desconhecido. Do mais velho ao mais novo. Do mais talentoso ao que tem a pior família e amigos, porque não lhes dizem: Não! Pára!
Porque estes artistas sem noção existem, e infelizmente, existem mais do que deviam no panorama musical português.
Estes eram os momentos de clivagem na minha felicidade, o meu sonho acordava em pesadelo. No entanto, qual robôt processado ou de emoções moldadas ao ordenado no fim do mês, assumo que ajudei a criar e alimentar “estes Gremlins musicais” com chavões e clichês que lhes enchiam a alma e davam alento a uma nova música. Um novo álbum.
Por isso, a todos os artistas ou com pretensões de o serem, nunca se esqueçam: A Música não é, nem pode ser, clichê. Tem de ser inovadora, libertadora e permitir a quem cria e escuta aumentar o seu espectro de sentimentos e emoções.